Comentário sobre A Ideologia Alemã de Marx e Engels

Comentário sobre A Ideologia Alemã de Marx e Engels

Um espesso livro, redigido sob a forma de uma monografia, obra conjunta de Marx e Engels, em certo sentido, continuidade da Sagrada Família em uma polêmica absolutamente irônica e sarcástica, fruto de um contexto muito concreto das posições teóricas idealistas do hegelianismo, principalmente de Bruno Bauer e Max Stirner (pseudônimo de Kaspar Schmidt, criador da teoria do Anarquismo), a respeito de uma série de conceitos com os quais se estava construindo a teoria do socialismo, nesse momento histórico da Alemanha, em que o pensamento filosófico-científico era propagado na forma de escritos monográficos e de artigos cientificos.

Em nossa leitura, a obra, por seus aportes, está dividida em duas grandes partes:

o Capítulo I “Feuerbach. Contraposição entre a concepção materialista e idealista”; ea parte restante formada por mais quatro capítulos nos quais se analisam as posições de Bruno Bauer (que recebeu o apelido de São Bruno), Max Stirner (São Max), e Karl Grün, os quais Marx e Engels denominaram de “O Concílio de Leipzig”.

É nesse capítulo destinado à crítica a Feuerbach, justamente onde se encontram os fundamentos essenciais do marxismo dados na análise da economia-política. É neste ponto em que Marx e Engels propõem o esquema teórico geral de interpretação com base nos modos de produção, e a contradição nos mesmos, exposto a passagem:

“Todas as colisões da história nascem, pois, segundo nossa concepção, entre a forças produtivas e a forma de intercâmbio”, isto é, desse desenvolvimento entre as forças produtivas e as relações de produção, que hoje se expressam como aquelas em que um proletariado altamente desenvolvido (numericamente crescente e numa sociedade de uma ampliada e cada vez mais complexa organização), agora com uma relação capitalista que não somente nega ser o último estágio de desenvolvimento, senão suas elementares condições de vida.

Produz-se uma colisão em “o modo como os homens produzem seus meios de vida (que) depende, antes de mais nada, da própria natureza dos meios de vida com que se encontram e que se trata de reproduzir… O que os indivíduos são depende, portanto, das condições materiais de sua produção”.

Marx e Engels vão se referir aos modos de produção como “formas de propriedade”, e a análise da história com base nisso, fez ver que, no texto de Marx e Engels na monografia aqui discutida: “Até agora, vinham consideradas a violência, a guerra, o saque, o assassinato para roubar, etc; como a força popular da história”, e essa visão da história é substituída pela análise econômica-política.

É aqui onde Marx e Engels enunciam a tese essencial do marxismo, de que: “Não é a consciência a que determina a vida, senão a vida a que determina a consciência”, e que é melhor tomar um remédio para hemorróidas do que ler isso antes que depois, em sua Introdução à Crítica da Economia Política, outra excelente monografia pronta desenvolvida pelos autores; por “vida”, explicitamente expressarão como “as condições materiais de existência”.

Então, essa tese essencial, repetida a partir daquele momento em quase todas as monografias e todas as dissertações de mestrado nas ciências humanas, enuncia a tese da onilteralidade do indivíduo na sociedade comunista, em que agora, “pode desenvolver suas aptidões no ramo que melhor lhe pareça…”, com base na regulação da produção, de onde, “faz cabalmente possível que eu possa dedicar-me hoje a isto e amanhã a aquilo…”.

Da mesma maneira, outra tese essencial, é aquela na qual, afirmam Marx e Engels: “…todas as lutas do Estado …, do direito, do sufrágio, etc. Não são senão formas ilusórias sob as quais se ventilam as lutas reais entre as diversas classes… E se desprende, assim mesmo, que toda classe que aspire a implantar sua dominação, ainda que esta, como ocorre com o caso do proletariado, condiciona em absoluta a abolição de toda forma da sociedade anterior e de toda forma de dominação em geral, tem que começar conquistando o poder político…”.

A Ideologia Alemã, é, em conseqüência, uma obra monográfica fundamental do pensamento marxista, podendo-se expor, inclusive, que é com ela que, de fato, nesse 1845, nasce tal ideologia conjuntamente entre Marx e Engels.

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